
O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, afirmou nessa 4ª feira (17.fev.2021) que o Ministério da Saúde tem condições para cumprir o cronograma de vacinação anunciado pelo ministro Eduardo Pazuello.
Gabbardo atuou como secretário executivo do Ministério da Saúde durante a passagem de Luiz Henrique Mandetta pela pasta. Deixou o cargo no fim de abril de 2020 e assumiu a posição de coordenador do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo em maio do mesmo ano.
Pazuello se reuniu com governadores nessa 4ª feira (17.fev) para apresentar o cronograma de vacinação. Segundo o ministro, o governo espera receber 230,7 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus até julho. Dessas, 11,3 milhões chegam ainda em fevereiro e 46 milhões em março.
Pelo plano apresentado pela Saúde, o governo federal receberia em fevereiro pouco mais de 9 milhões de doses da CoronaVac, vacina da farmacêutica Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Dimas Covas, diretor do instituto, garantiu a entrega de apenas 3,4 milhões.
“Eu imagino que o ministério tenha colocado [no cronograma] as doses que vai passar a receber no início de março”, falou Gabbardo em entrevista à CNN Brasil.
“Mas também não ficou muito claro para mim porque a planilha do Ministério da Saúde apresenta esse número superior ao que está previsto pelo Butantan”, declarou. “De março em diante está ok.”
O coordenador afirmou que, apesar disso, a previsão de todo o grupo prioritário seja vacinado até junho pode ser cumprida. Isso porque o Butantan não vai interromper a entrega das doses da CoronaVac.
“A partir do dia 23, o Butantan começa a entregar em torno de 400, 500 mil doses diariamente”, afirmou Gabbardo.
As doses distribuídas até agora estão no fim e diversas cidades interromperam a vacinação. Segundo Gabbardo, a situação deve se regularizar já a partir da próxima semana com nova remessa da CoronaVac. “Espero que se confirme as entregas da AstraZeneca”, falou.
O Brasil deve 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford importadas da Índia ainda em fevereiro. Está prevista a chegada de outras 8 milhões de doses até junho pelo Covax Facility.
Além disso, a Fiocruz, que produz a vacina no Brasil, recebeu insumos para fabricar o imunizante e prevê que as primeiras doses fiquem prontas entre o final de fevereiro e o começo de março.
“É perfeitamente viável que até junho ou julho tenhamos vacinado a população prioritária”, afirmou.
O coordenador disse que, caso as doses sejam entregues conforme o previsto, a vacinação de profissionais da saúde e pessoas com mais de 60 anos deve estar concluída até o fim de março.
“Isso seria excepcional para a mudança nos indicadores, tanto no de internação até no de atendimento de UTI e óbitos.”
Integram o grupo prioritário definido pelo governo federal:
- Todos os trabalhadores da área de saúde;
- Pessoas com 60 anos ou mais em instituições (como asilos);
- Indígenas que vivem em aldeias;
- Pessoas com deficiência que tenham 18 anos ou mais em instituições;
- População idosa (60 anos ou mais);
- Comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas;
- População em situação de rua;
- Pessoas com comorbidades;
- Trabalhadores da educação;
- Pessoas com deficiências permanentes e severas;
- Trabalhadores da segurança e de salvamento;
- Funcionários do sistema prisional;
- População privada de liberdade;
- Trabalhadores do transporte coletivo;
- Transportadores portuários e rodoviários de carga.
Poder 360.