Retiro de Semana Santa da Comunidade Shalom acontece entre 7 e 9 de abril

Foto: reprodução
A Comunidade Católica Shalom promoverá, entre os dias 7 e 9 de abril, o Retiro de Semana Santa, no Colégio Marista, que fica no bairro do Tirol, sempre a partir das 8h, com entrada no valor de R$19,90. 
O Retiro já é tradicional na capital potiguar e todos participam da preparação para a Páscoa do Senhor, com momentos de oração, formações, confissões e a Via Sacra Artística, tudo para favorecer uma experiência autêntica com o Amor de Deus.
Este ano, o Retiro terá como tema: “Cristo humilhou-se e foi exaltado” (Fl 2,8), e trará diversas reflexões sobre como Jesus ensinou sobre a humildade que agrada a Deus e como Ele nos chama a seguir seus passos no mundo atual, tão necessitado de amor e humildade.
A Semana Santa é o momento de refletir sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus, que redimiu os pecados do mundo inteiro com sua oferta de amor. Aproveitar esses dias em movimento de contrição, reflexão e oração, faz com que tudo tenha um significado muito especial, culminando com o Domingo de Páscoa, onde a Igreja celebra a Ressurreição de Cristo.
Serviço
  • Data: 7 a 9 de abril
  • Horário: 8h às 12h
  • Local: Colégio Marista (Rua Apodi, 330 – Tirol)
  • Valor: R$ 19,90

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Significado bíblico das cinzas

Padre João Medeiros Filho
O ato da imposição de cinzas remonta ao Antigo Testamento. O livro de Ester narra Mardoqueu vestindo-se com pano de saco e cobrindo-se de cinzas ao saber do decreto de Assuero (Xerxes I, da Pérsia), condenando à morte os judeus ali residentes (cf. Est 4,1). Atitude semelhante teve Jó, demonstrando o seu arrependimento (Jó 42, 6). Daniel, ao profetizar a tomada de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: “Voltei o olhar para o Senhor Deus, procurando fazer preces e súplicas com jejuns, vestido de tecido rústico e coberto de cinzas.” (Dn 9, 3). Após a pregação de Jonas, o povo de Nínive se vestiu de roupas grosseiras, impondo-se cinzas. O rei levantou-se do trono e sentou-se sobre elas (Jn 3, 5-6). Tais exemplos demonstram a prática religiosa de seu uso como símbolo de arrependimento, tristeza, penitência, conversão e dor. Cristo aludiu igualmente a esse costume, quando se dirigiu aos habitantes das cidades de Corazim e Betsaida que não se arrependiam de seus pecados, apesar de terem presenciado milagres e ouvido a Boa Nova. “Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres feitos no meio de vós, há muito tempo teriam demonstrado arrependimento, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas”, advertiu o Mestre. (Mt 11, 21).

A Igreja, desde os primórdios, continuou este ritual com um simbolismo análogo. Tertuliano aconselhava o pecador a “vestir-se com um tecido de estopa e cobrir-se de borralho.” Eusébio, primeiro historiador da Igreja, relata que Natálio se apresentou com esses trajes, diante do Papa Zeferino, para suplicar-lhe o perdão.

No cristianismo medieval, quando o penitente saía do confessionário, o sacerdote impunha-lhe cinzas para significar que o “velho homem” tinha sido destruído, dando lugar ao “novo homem” (Ef 4, 24), do qual fala o apóstolo Paulo.

Por volta do século VIII, as pessoas que estavam prestes a morrer, eram deitadas no chão sobre um tecido rude e nelas se jogava pó.

O sacerdote, aspergindo-as com água benta, dizia: “Lembra-te, ó criatura, que és pó e nele te hás de tornar.” (Gn 3, 19). Este rito foi tomando uma nova dimensão espiritual e passou a significar morte ao pecado, em seus diversos aspectos: mentira, orgulho, injustiça, inveja, ódio, violência etc. Assim, com o passar dos anos, tal costume foi associado ao tempo quaresmal. Neste, somos convidados a sepultar o velho homem existente em nós para ressurgir com Cristo, na Páscoa.
Na liturgia atual, as cinzas utilizadas na quarta-feira são obtidas com a queima de sobra das palmas bentas no Domingo de Ramos do ano anterior.

O sacerdote as abençoa e impõe sobre os fiéis, dizendo: “Lembra-te que és pó e nele te hás de tornar”, ou então: “Converte-te e crê no Evangelho.” (Mc 1, 15). Essa cerimônia é um convite à preparação para a Páscoa pela vivência da quaresma, tempo privilegiado para uma revisão de tudo o que nos aniquila em nossa caminhada de fé e amor.
Aceitando tal ritual, expressamos duas realidades fundamentais: a consciência de que somos criaturas efêmeras e nossa fé na ressurreição. Cristo ressuscitou dos mortos, prometendo-nos que também ressuscitaremos.

É conhecida na mitologia grega a força de Fênix, que renasce das cinzas. Isto lembra-nos que delas também nós podemos surgir, como criaturas novas, pela graça inefável de Deus. Elas simbolizam mudança radical, na medida em que representam aniquilamento ou destruição. Por essa razão, somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus Cristo, mudando nossa maneira de pensar, julgar e agir, libertando-nos da arrogância, do egoísmo e de tudo aquilo que nos afasta de Deus.
A palavra marcante com que se abre a celebração da quaresma – a qual se inicia na quarta-feira, após o carnaval – é conversão. O termo, de origem hebraica, indica mudança interior, dir-se-ia, transformação da mente e do espírito. Foi isto o que Cristo veio trazer com sua mensagem.

Ele indicou ao ser humano um novo caminho e modo de ser e viver.

O apóstolo Paulo, de forma inspirada, o chama de “novo Adão”, qual seja, uma nova humanidade (Rm 5, 12-21).

Arqueólogos afirmam ter encontrado a casa onde Jesus passou a infância

Quando se estuda Jesus Cristo, nem sempre a figura histórica está em harmonia com a divina. Pesquisadores do período em que ele viveu relutam em acreditar que José tenha se deslocado de Nazaré a Belém para Maria dar à luz a criança. A cidade de Belém, que fica na região hoje chamada de Cisjordânia, a cerca de 160 quilômetros de Nazaré, é a terra natal de Davi, onde ele foi coroado rei dos judeus, e talvez tenha sido incluída no enredo a fim de reforçar a profecia em torno do Salvador. A própria data de nascimento foi arbitrariamente fixada pela Igreja Católica para fazer o Natal prevalecer sobre as festas pagãs de fim de dezembro que marcavam o início do inverno no Hemisfério Norte. Assim, foi com certa incredulidade que a comunidade científica recebeu a notícia de que a casa onde Cristo viveu estaria localizada no subsolo de um convento em Nazaré.

A história do Convento das Irmãs de Nazaré, ao norte de Israel, tem origem tão remota quanto a saga do homem — aqui no sentido histórico — que lançou a mais influente religião do mundo ocidental: o cristianismo e todas as suas vertentes. Para entender o caso, é preciso fazer uma breve viagem no tempo. Quando o Império Romano se esfacelou na Itália no século IV, ele ainda prosperou por um milênio no Oriente. Essa nova Roma — cuja capital era Bizâncio, rebatizada de Constantinopla e finalmente de Istambul, na atual Turquia — já havia se convertido ao cristianismo quando começaram as peregrinações às cidades sagradas de Jerusalém, Belém e outras da região comumente chamada de Terra Santa. Em Nazaré, na passagem do século IV para o V, foi erguida uma igreja bizantina sobre a antiga estrutura de uma casa de pedra e argamassa parcialmente escavada na encosta de um morro. Pelo jeito, não era uma residência qualquer, pois o templo, chamado de Igreja da Nutrição (uma vez que seria o local onde Jesus foi criado), passou a ser ponto recorrente de parada de peregrinos até ser destruído, reconstruído e depois consumido pelo fogo, provavelmente no século XIII.

arte israel

Quando freiras francesas se instalaram ali, no século XIX, as ruínas estavam praticamente intocadas havia décadas. Elas então escavaram o subsolo em busca de algo que corroborasse a história de que aquela teria sido a casa de Jesus, mas não tinham os recursos financeiros nem científicos para isso. Ainda assim, conseguiram juntar artefatos para montar um pequeno museu. Em 1914, uma igreja austera no estilo franciscano foi erguida sobre a estrutura que teria sido a oficina de José e batizada com o nome dele, mas a maior parte do sítio arqueológico ficou esquecida.

O assunto só voltaria à tona em 2006, com a chegada ao sítio do professor Ken Dark, doutor em arqueologia e história pela Universidade de Cambridge. Buscando encontrar evidências da igreja bizantina perdida, ele recebeu autorização para estudar o local. Dark tem escrito ensaios desde então e lançou um livro neste ano sobre o Convento de Nazaré, ainda sem tradução para o português. O que o arqueólogo postula é que as ruínas no subsolo são do século I. Usada como cava e cripta pelos bizantinos, a habitação foi mantida razoavelmente preservada ao longo dos anos, o que leva a crer que tinha significado para os cristãos. Ela foi solidamente construída por alguém que dominava o ofício. Teria sido José? Dark admite que não tem prova irrefutável e sim um conjunto de evidências que poderiam sustentar a teoria. José era um artesão hábil, definido no Novo Testamento, em grego, como um “tekton”, artífice que tanto poderia ser um carpinteiro como um pedreiro.

A casa é de pedra calcária, material de preferência dos judeus do primeiro século. Outros artefatos de calcário foram encontrados, bem como potes de cozinha quebrados. Como foi parcialmente escavada na pedra, tem um lance de escadas e teria sido avarandada. Uma das entradas foi preservada, assim como parte do chão original de cal. Mosaicos do período bizantino foram instalados ali posteriormente, indício de que os antigos reconheciam que se tratava de um lugar de devoção.

Segundo a crença, o nascimento do Salvador teria sido anunciado pelo Arcanjo Gabriel a Maria em um local perto da casa de José, onde hoje se encontra a Basílica da Anunciação, a poucos metros do convento. As Irmãs de Nazaré trabalham pela comunidade desde que lá se instalaram. Construíram também uma escola e uma hospedaria para peregrinos, abertas a visitação, contanto que previamente agendada.

Como é comum ocorrer em investigações arqueológicas complexas, o trabalho do professor Dark não escapa ileso. O pesquisador René Salm, especialista nas origens da cristandade, afirma que as conclusões do arqueólogo são apenas interpretativas. Salm argumenta que o subsolo do convento teria sido erguido muitos anos depois do período de Cristo e que a construção era tipicamente usada para atividades funerárias e agrícolas, e não como residência. O Jesus histórico, neste caso, não estaria em conflito com o Jesus divino, mas apenas com a arqueologia — uma ciência tão sujeita a erros e acertos quanto os seres humanos que a estudam.

Publicado em VEJA de 23 de dezembro de 2020, edição nº 2718

Uma sociedade de medos e ameaças

Padre João Medeiros Filho

Sociólogos, historiadores, terapeutas e religiosos advertem para o perigo de uma “civilização de ameaças”. No Brasil, poderes se insurgem uns contra os outros, em mútuas e constantes coerções. Os diversos setores da economia deixam muitos insones. Autoridades sanitárias comentam sobre o eventual colapso da saúde. Governos queixam-se da escassez de recursos para gerir a coisa pública. Pastores de almas preanunciam tempos apocalípticos. Verifica-se a negação do anúncio do cristianismo proclamado pelo anjo, na Noite Santa: “Eis que vos anuncio uma grande alegria.” (Lc 2, 10). A mensagem de Cristo é o aceno de paz e Boa Nova (Evangelho). Outrora, crentes e agnósticos viveram épocas tenebrosas. Não há como esquecer a fogueira da Inquisição e os horrores do holocausto. Houve tempo em que pregadores apontavam a porta do inferno, considerando-se proprietários do céu. Os anos se passaram e ainda se tenta esconder a beleza da doutrina cristã com mantras e adereços ideológicos, ofuscando a ternura cativante do Salvador.

Vive-se numa sociedade ameaçadora. Muitos sentem a dor da angústia e as investidas das ideologias. Estas se servem inescrupulosamente de tudo, máxime da confusão arquitetada pelos profetas do caos. Ao sofrimento físico soma-se o espiritual. Não basta a indignação ética. É necessário solidariedade e compaixão com os outros. O cristianismo é a religião do bom samaritano, na parábola narrada por Lucas (Lc 10, 25-37). “O outro que se assusta e sofre é parte de nós mesmos”, declarou São João Paulo II. Em tempos de medos, precisa-se cultivar a semente da esperança, não obstante tanta aflição. Pairam incertezas, acompanhadas de inquietude e desconforto. Não se pode esquecer que as agruras individuais e a infelicidade coletiva são o preço dos descasos e desigualdades reinantes.

As pessoas vivem tensas, tomadas por constantes sentimentos, notícias e imagens de maus presságios, doença, dor e morte. Isto demonstra que a humanidade vive sob o signo do temor, agravado pela pandemia. O pavor de perder a vida, saúde e emprego, acrescido de palavras atemorizantes, deixa as pessoas confusas e deprimidas. As igrejas têm o dever de confortar e animar o povo, como testemunhara o salmista: “Mesmo se eu tiver de andar por um vale de sombras, não temerei, pois estás comigo.” (Sl 23/22, 4). “E se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8, 31). A Bíblia é pródiga de passagens de alento e encorajamento. Os cristãos devem ser mensageiros da paz, precursores da alegria e da vida.

Atravessa-se o ocaso de uma época. O pôr do sol é belo, justamente por carregar um misto de indefinições e dúvidas. É a “elegante melancolia do crepúsculo”, como lembra Charles Chaplin. Mas, a tristeza – no seu ícone maior da Sexta-feira Santa – traz em seu bojo a potencialidade de transformar a aparente decepção em vida, aurora e luz. Hoje, é preciso pedir com insistência renovada, como os discípulos de Emaús, no entardecer pascal: “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando.” (Lc 21, 29). É fundamental que as igrejas relembrem a certeza de que “a luz brilhará na escuridão.” (Jo 1, 5). É compreensível o desânimo que se abate nesse dramático momento brasileiro. Por essa razão, como é bom ouvir as palavras de Jesus: “Estarei convosco todos os dias. Confiança, eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Nestes tempos difíceis venha a lição dos ipês floridos e a sociedade também possa florescer e frutificar. Oxalá uma nova estação acalme os ânimos exaltados, o radicalismo e o desrespeito aos outros, advindo, frequentemente, do conceito equivocado de liberdade de expressão. A metáfora das craibeiras coloridas ensina aos homens que não é possível antecipar a primavera. No entanto, é factível transformar o “inverno” no despontar (em nós) de um novo ser humano. Ele pode ser belo, fecundo e transformador. Urge arrefecer as emoções e o pessimismo para brotar o amor! O outono dá-nos uma lição: as folhas caem, mas a vida resiste, mesmo em dias sombrios e frios. Saibam todos: Deus cuidará sempre de nós. “Ele é nosso refúgio e seus braços fortes nos sustentam!” (Dt 33, 27).

Gratuidade e generosidade

Padre João Medeiros Filho

Cristo, antes de enviar os apóstolos para pregar o Evangelho, fez a seguinte recomendação: “De graça recebestes, de graça deveis dar.” (Mt 10, 8). Eis uma exortação com força interpelativa. A gratuidade é uma virtude essencial, apesar de muitos considerarem desnecessáriaa sua inclusão nos protocolos de providências e sugestões para o mundo de hoje. Tem provocado questionamentos daqueles que calculam valores e resultados,somente a partir de dividendos e lucros. Há os que pensam prioritariamente em ampliar a lista de seus bens e benesses. Reconhecer a importância dessa qualidade humana parece algo distante das instâncias dos poderes, marcadas pela cultura do “toma lá, dá cá”.  O agir gratuito geralmente é considerado um tema secundário, quando se pensa em soluções urgentes para a sociedade hodierna. A lógica da atualidade é tirar proveito de tudo. Ninguém faz nada de graça, sem segundas intenções. A ausência de atos generosos e desinteressados dificulta sobremaneira o surgimento de uma nova era para a humanidade.

A crescente disseminação de notícias falsas manifesta os propósitos velados dos indivíduos e grupos.São mentiras elaboradas e propagadas em larga escala para fragilizar instituições, desmoralizar e destruir pessoas, incitar o ódio e, assim, de modo antiético, obter alguma vantagem. Projetos sobre novos tempos a serem vividos pela sociedade – capazes de livrá-la do caos – reservam um ínfimo espaço ao tema da gratuidade. No entanto, ela é determinante. Contém a força recuperadora do altruísmo, que ilumina olhares e fecunda a inteligência, levando a repensar os caminhos da humanidade.

Embora importante, a generosidade vem desaparecendo do cotidiano. Deixou de ser fermento no coração humano. Chega-se ao ponto de pensar que é sinônimo de ingenuidade. Equivocadamente, passa-se a considerar como “virtude” saber manipular ou enganar,em troca de alguns apanágios pessoais. Essa perspectiva egoísta e permissiva gera distorções sociopolíticas, jurídicas, culturais e religiosas em função de favorecimentos. As causas do veneno que corrói a existência da gratuidade merecem ser estudadas. Impressiona o domínio do egocentrismo contemporâneo. As relações são orientadas e estabelecidas, a partir do jogo de interesses. O vil metal tornou-se centro e motivação de quase tudo. Difere completamente daquilo que ensina o Evangelho: “Quando deres uma festa, convida os pobres, paralíticos e cegos. Então serás feliz! Porque eles não poderão te retribuir.” (Lc 14,13-14). Circunstâncias, situações e pessoas são reduzidas a meros instrumentos para alcançar o que se deseja. É o reinado do utilitarismo.

Um exemplo dessa situação é o comportamento de alguns filhos, que não cuidam dos pais idosos ou dependentes. Onde estão o reconhecimento e a retribuição a quem sempre lhes dedicou atenção e carinho?A falta de amizades generosas impossibilita palavras de ânimo e comunhão, tão necessárias aos relacionamentos. Sem a gratuidade não se logra o essencial nos vínculos fraternos. Assim, as atitudes deixam de ser norteadas pelos princípios da fidelidade e generosidade.

A ausência de gestos gratuitos configura-se igualmente na relação do homem com o meio ambiente e a Casa Comum. Os resultados são reações, por vezes,surpreendentes da própria natureza. Esta é comprovadamente pródiga, mas espera que os homens reconheçam sua capacidade de doar.  Um exemplo desolador desse desrespeito é o setor da mineração, que se coloca no horizonte hermético da lógica do lucro e da idolatria do dinheiro. Esse tipo de empreendimento, realizado de modo irresponsável, acarreta um retorno deletério, provocando tragédias ecológicas e humanas, miséria para tantos e enriquecimento para poucos.

Sem o sentido da gratuidade não adianta os “bolsos cheios” de alguns,em detrimento da penúria de vários.Ela é exigência na pauta das aprendizagens necessárias à construção de um novo tempo. Nesse horizonte educativo, urge, pois, recorrer a Jesus e seus ensinamentos. Estes apresentam dinâmicas que podem levar mentes e corações à descoberta de riquezas espirituais impensáveis. Nelas está o remédio eficaz contra as doenças da humanidade.Sábias e oportunas são as palavras do apóstolo Paulo: “Em tudo vos mostrei que se deve ajudar aos fracos, recordando sempre as palavras do Senhor: ‘Há muito mais felicidade em dar do que em receber’.” (At 20, 35).

Obedis Damásio comandará “A Voz da Esperança” na Liberdade FM

 

O publicitário caicoense Obedis Damásio comandará o programa “A Voz da Esperança”, na Liberdade FM (Parnamirim), às sextas-feiras, das 17 às 18 horas, com entrevistas, testemunhos, estudos bíblicos, louvores e com leitura da palavra de Deus.

Obedis, que também atua como assessor na área de marketing político, é testemunho vivo do poder de Deus. Depois de passar quase vinte anos entregue às drogas, ele conseguiu se libertar da dependência e, desde então, usa sua experiência em ações de solidariedade e ajuda ao próximo. Além disso, promove o Seminário de Marketing Político da Grande Natal, evento que terá sua 7ª edição no dia 10 de setembro de 2020, tornando-se uma referência no segmento em território potiguar.

“A Voz da Esperança” chega para agregar valor à grade de programação da Liberdade FM, emissora que a cada dia cresce em audiência, podendo ser ouvida pelo aplicativo Rádios Net e vista pelo Facebook e YouTube. A estreia será no dia 21 de agosto.

 

 

 

Ética para as redes sociais

Padre João Medeiros Filho

Nestas últimas décadas, a inteligência humana alcançou muitas conquistas tecnológicas – especialmente no setor das comunicações – até pouco tempo inimagináveis. Inegavelmente, o uso correto da mídia poderá prestar relevantes serviços à sociedade, pois consegue rápida difusão do conhecimento humano e maior aproximação dos indivíduos. Empresas especializadas oferecem ferramentas e aplicativos cada vez mais fascinantes, colocando à disposição do público diversos serviços gratuitos. No entanto, tais entidades registram informações reservadas dos inscritos: identidade, profissão, endereço, grau de instrução, localização, tendências sociais, ideológicas e religiosas, ou seja, traçando o perfil dos cadastrados.Não se sabe o alcance da segurança e do sigilo dos dados privativos e qual o seu destino. Ainda não se tem ideia clara das consequências de sua utilização. A experiência vem mostrando que, se não forem empregadas adequadamente,essas tecnologias contribuirão para a vulnerabilidade das pessoas. Já se percebem: desgaste das relações individuais, manipulação de dados e dificuldade para se conhecer a verdade.

Apresentam-se três questionamentos ou desafios, a partir de tais descobertas. O primeiro diz respeito às relações pessoais. Estas, apesar dos limites e desvantagens da mídia, poderão ser favorecidas por ela. O contato físico (abraço, aperto de mão, olhar…) é essencial. E quem já não teve aborrecimentos e amizades estremecidas ou até desfeitas, em virtude de postagens ou compartilhamento nas redes? É quase impossível controlar o que foi divulgado.

Outro desafio, não menos sério, é representado pela manipulação das notícias. Facilmente, usuários dos meios digitais sentem-se privilegiados em decorrência do acesso imediato a informações. Há os que distorcemos fatos e difundem inverdades e ódio. Inexiste ética. É necessário orientar na formação da consciência dos cidadãos, insistir na importância de desenvolver o verdadeiro espírito crítico em função do bem comum.Assim adverte a Sagrada Escritura: “Os lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos ímpios anda cheia de perversidades.”(Pr 10, 32). Diariamente, verificam-se calúnias e difamações lançadas nas redes.Não é fácil limpar a reputação de alguém, quando ela foi conspurcada. É conhecida a metáfora sobre a detração e maledicência, comparadas a um saco de plumas jogadas ao vento, do alto de um monte. Mesmo conseguindo-se a prova da inocência, o dano foi causado. E se acontecer do erro ser reparado, as cicatrizes permanecerão, ao longo do tempo.Eis o que diz o Senhor: “Não habitará na minha casa o arrogante,nem o caluniador permanecerá na minha presença.” (Sl 101/100, 7).

Um terceiro questionamento decorre dos anteriores. É cada vez mais difícil comprovar a verdade. Há um campo aberto a informações falsas e expressões de ódio, misturadas a sofismas,inexatidões e dolos. Como distinguir o joio do trigo? Como não perder de vista a verdade, esse bem precioso à vida humana? O apóstolo Paulo recomendava: “Abandonem a ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente. Não mintam uns para os outros” (Col 3, 8-9). Na década de 1960 – antes do surgimento, no Brasil, das novas comunidades cristãs de vida e aliança – cantava-se muito um hino da autoria de Irmã Irene Gomes: “Palavra não foi feita para dividir ninguém… semear a dúvida, a tristeza e o mal-estar. O destino da palavra é a construção de um mundo mais feliz e mais irmão”.

O universo digital necessita ser ético. É indispensável a convicção de que os direitos não são ilimitados eo próximo deve ser respeitado.Urge que o bem comum esteja acima de interesses individuais e partidários.Agindo assim, as redes sociais poderão se transformar em espaços de amizade e comunhão, nos quais a justiça será respeitada e o amor vivido. Infelizmente, as recentes tecnologias comunicacionais têm se prestado, não raro,a discórdias, desavenças e rupturas. Tenta-se, por meio de alteração na legislação ou sentenças judiciais, coibir a disseminação de notícias inverídicas. Evidentemente, isso impedirá certos abusos, mas não modificará a consciência de muitos. A esse respeito, as igrejas têm uma grande responsabilidade por seus fiéis. Há de se enfatizar o sentido e a dimensão do oitavo mandamento do Decálogo e reiterar o preceito bíblico: “Preserva a tua língua do mal e os teus lábios para que não falem mentiras.” (Sl 34/33, 14).