O Brasil atingiu um desejado patamar para controle da pandemia na última terça-feira, 16. Com a confirmação de compra das 54 milhões de doses da CoronaVac, produzida pela farmacêutica Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan, o país tem cota suficiente para vacinar toda a população acima de 18 anos. Atualmente são 162,8 milhões de brasileiros maiores de idade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Atualmente, o país tem garantidas 354,9 milhões de doses neste 2021. Para chegar a essa monta, consideramos somente os contratos assinados. São os seguintes: Butantan/Sinovac, com 100 milhões de doses a serem disponibilizadas até setembro; Fiocruz/AstraZeneca, com 212,4 milhões de doses em contrato até dezembro e o consórcio Covax Facility com 42,5 milhões de aplicações a serem entregues até o fim do ano, de acordo com o Governo Federal. Para oferecer duas doses a toda a população, seriam necessárias 325,6 milhões de doses (há, inclusive, uma ligeira diferença para considerar a taxa de desperdício de 5%, algo como 16,28 milhões de doses).
A conta de doses fisicamente disponíveis, porém, é bem menor. 31,9 milhões doses já desembarcaram em solo nacional, 8,9% do total combinado. O Butantan já entregou 9,8 milhões de doses (prontas) ao Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. No instituto há material suficiente para mais 17,3 milhões de aplicações, que devem ser serem finalizadas e envasadas. A Fundação Oswaldo Cruz já recebeu 2 milhões de doses prontas — entregues pelo Ministério da Saúde para todo o país — e tem em suas dependências insumo suficiente para preparar outras 2,8 milhões de aplicações.
Outras negociações
A prancheta do Ministério da Saúde tem outras opções a serem assinadas. São, a princípio, 10 milhões de doses da Sputnik V, do Instituto Gamaleya, na Rússia. E também 20 milhões de doses da Covaxin, da indiana Bharat Biotech. As duas vacinas ainda não têm qualquer tipo de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicações no Brasil, nem em forma de testes. O Governo Federal diz que deve assinar ainda nesta semana os dois contratos.
O Butantan também abriu negociações para comprar mais 20 milhões de doses da CoronaVac. Elas seriam entregues a partir de setembro. A Fiocruz prepara-se para a compra de mais 10 milhões de doses prontas junto ao Instituto Serum, na Índia, responsável pela primeira entrega da vacina de Oxford no Brasil, em janeiro. Ainda que o Ministério da Saúde já considere as doses como “garantidas”, membros da Fiocruz ouvidos por VEJA tratam o tema com cautela — uma vez que a primeira importação foi marcada por uma grande dúvida se o contrato seria celebrado ou não. Os trabalhos, porém, estão muito bem encaminhados.
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